No início, havia o caos primordial. Deus então iluminou o caos que se transformou nos Elementos, que foram organizados pelo Demiurgo para, a partir daquilo que Deus observou no plano arquetípico (que é o plano onde se observa tudo o que algo pode se tornar) se tornarem as coisas que existem.
Os elementos constituem tudo o que existe, não há nada que não seja feito através deles. Podemos dizer que todo corpo é feito dos elementos, e que até o ar é percebido como um corpo e sendo assim, repleto dos elementos. Tudo o que existe, o macro e o micro, é feito dos elementos.
Os elementos não se limitam a essa forma como estamos habituados, e em realidade, os elementos que vemos no plano físico são apenas um aspecto desses princípios Universais. Os antigos, vendo na Natureza os mesmos padrões presentes no Divino, usaram elementos naturais e facilmente visíveis para explicar através da analogia os elementos invisíveis. E isso é para praticamente todas as coisas. Como exemplo você pode pegar os sistemas de esquematização Universal baseados em planetas e signos. Nesses sistemas, usou-se a visão astronômica para dividir os princípios divinos dessa maneira, e um principio criador que os move e sustenta.
Então, por trás do aspecto físico dos elementos há princípios universais presentes em tudo em determinado grau e com certas características manifestas de cada elemento. Vamos ver agora a respeito dos Elementos e suas principais características:
-Akasha: o Akasha, ou Éter, é a potencialidade suprema. Nesse vazio tudo pode se manifestar porque na verdade esse vazio já é o tudo em suas infinitas possibilidades, então para poder ser esse tudo que houve, há e haverá ele precisa ser desprovido de forma, para assim ser todas as formas, desprovido de tempo, para assim estar em todo o tempo, desprovido de lugar, para assim estar em todos os lugares. É do Éter que surgiram os demais
elementos. É o elemento mais sutil. Pode assumir várias formas porque a vibração do Éter muda a todo momento de acordo com a forma e local onde é aplicado.
A energia Etérica é na verdade a Consciência Universal. Desta força sugiram os espíritos que neste momento habitam temporariamente nossos corpos físicos, assim como tudo o que existe. Os outros elementos na verdade são apenas manifestações das variadas formas que essa Força pode adquirir.
-fogo: fogo é o nome genérico que leva o PRINCÍPIO ATIVO do Universo. O primeiro elemento que nasceu do Éter foi o elemento fogo, que assim como todos os outros elementos não se manifesta unicamente na forma física em que os identificamos, mas de muitas formas tanto nos Mundo físico quanto nos Mundos sutis, em tudo o que existe. As características básicas desse elemento são o calor e a expansão. Do fogo surgiu a luz e o fluido elétrico (ambos através de sua expansão). Em seu princípio ativo é criador, gerador e construtor. Em seu princípio passivo é desagregador, exterminador e destrutivo.
-água: água é o nome genérico do PRINCÍPIO PASSIVO do Universo. O segundo elemento a nascer do Éter e é o elemento oposto ao fogo, surgiu a partir da lei universal da polaridade, onde tudo tem seu oposto. Suas principais características básicas são o frio e a retração, e através dessa retração surgiram a sombra e o fluído magnético. Em seu princípio ativo este elemento é construtivo, doador de vida, nutriente e preservador. Em seu princípio passivo é desagregador, fermentador, dissipador e decompositor.
Como uma observação rápida, gostaria de ressaltar que algumas culturas só representaram o aspecto ativo e passivo, já que eles são a base do funcionamento do Universo, por exemplo o Taoísmo e a sabedoria do Ying e Yang.
-ar: ar é o nome genérico do PRINCÍPIO NEUTRO OU MEDIADOR. O terceiro elemento a surgir, formado pela relação do fogo e da água refletidos no Éter. Um intermediário entre água e fogo. Ele produz um equilíbrio neutro entre os princípios passivo e ativo desses elementos gerando uma alternância desses princípios. Como intermediário, o ar herdou do fogo o calor, e da água a umidade, gerando também a leveza e sutileza. Tem como princípio ativo a doação de vida e como princípio passivo o extermínio dela. Lembrando que estamos falando dos aspectos universais dos elementos, e não apenas sua limitada forma física.
-terra: terra é o nome genérico do PRINCÍPIO DA HARMONIA. Último elemento a se formar, feito a partir dos três anteriores refletidos no Éter. A alternância de polaridades proporcionada pelo ar gerou movimento, e ao gerar movimento harmônico surge o princípio terra, ligado à manifestação das coisas. Este elemento formou-se por último, tendo como característica básica a solidificação e constituição. Englobando em si todos os outros elementos, ao mesmo tempo em que é limitado pelo espaço, tempo, peso e densidade. Todos os elementos são ativos no elemento terra para que ocorra fertilidade o bastante para manter a vida e a existência. Uma vez que esse elemento é a união dos outros três, surgiu a partir dessa fusão o fluído eletromagnético.
Os elementos são rivais, mas não são inimigos. Isso quer dizer que eles medem forças, ou seja, competem pela dominância, mas sua natureza não é a anulação completa e absoluta. O que pode ocorrer na interação de elementos opostos é uma transmutação, dependendo da maneira como se dá essa interação. Por exemplo, água jogada sobre uma fogueira acaba virando vapor, enquanto o fogo continua a existir não na forma de luz, mas de calor. Certos gases aprisionados no interior da terra e submetidos a certas temperaturas e pressões formam cristais, entre outras muitas possibilidades de resultado nas várias interações possíveis aos elementos.
Na Natureza a gente observa uma harmonia muito maravilhosa na relação entre os elementos, o Sol, por exemplo, que é luz e calor, também provoca uma distorção gravitacional que mantém os planetas em suas órbitas. Se a gente for capaz de observar que luz e calor são expansivos, são ígneos, é bastante curioso que o efeito dessa expansão gere justamente uma retração, um “magnetismo” que firma os planetas ao redor do Sol. A gente observa também a vida começando com um impulso de energia, que é expansão, mas pra se desenvolver ela precisa primeiro de retração. Observe como o orgasmo é uma explosão de energia ativa, que encontra um solo fértil e aí então, nas trevas e umidade do útero, o feto se desenvolve até nascer. Ou então as sementes, que são carregadas de energia ativa para ocorrer com elas o mesmo que ocorre com o espermatozoide, mas dessa vez na treva e umidade da terra. E mesmo depois de um estágio de desenvolvimento avançado, é necessário um ciclo entre luz e treva para que a vida continue.
Se não houvesse noite, toda a vida esturricaria, não suportaria o calor e a secura. Se não houvesse dia, toda a vida congelaria, não suportaria a umidade fria. Então, de forma cíclica, a vida se desenvolve e evolui, absorvendo certos tipos de energia ativa durante o dia, e certos tipos de energia passiva durante a noite. Enquanto a energia do dia carrega as coisas, é durante a noite que essa energia é convertida e a vida se regenera e se desenvolve. Não é a toa que os alquimistas tem tanto interesse pelo orvalho da manhã, porque é sabido que durante a noite esse princípio regenerador está presente muito fortemente no ar e se condensa na umidade das folhas.
E é por motivos assim que, mais uma vez, eu afirmo que tudo o que existe é essencial para a vida. O masculino sem o feminino cria sem cessar porém essa criação não se sustenta, o feminino sem masculino é terra fértil que é desperdiçada porque nada é plantado para nela se desenvolver. O dia sem a noite é um deserto de fogo, a noite sem o dia é um deserto de gelo. O equilíbrio verdadeiro (ou seja, movimento), só acontece na pluralidade, caso contrário fica inerte e coagula.
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